{"id":13120,"date":"2022-02-22T05:43:32","date_gmt":"2022-02-22T08:43:32","guid":{"rendered":"https:\/\/ocaa.org.br\/?p=13120"},"modified":"2022-02-22T13:01:52","modified_gmt":"2022-02-22T16:01:52","slug":"qual-e-a-bioeconomia-que-a-amazonia-quer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ocaa.org.br\/es\/qual-e-a-bioeconomia-que-a-amazonia-quer\/","title":{"rendered":"Qual \u00e9 a bioeconomia que a Amaz\u00f4nia quer?"},"content":{"rendered":"<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Em encontro do OCAA que reuniu representantes do setor privado, academia e sociedade civil, convidados destacam pluralidade da bioeconomia\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na Amaz\u00f4nia, a bioeconomia vem sendo destacada como uma poss\u00edvel alternativa para suprir demandas comerciais e, ao mesmo tempo, respeitar a integridade da sociobiodiversidade. No entanto, por se tratar de um conceito relativamente novo, h\u00e1 diferentes entendimentos do que ela \u00e9. Afinal, qual \u00e9 a bioeconomia que a regi\u00e3o quer? Em encontro realizado pelo <\/span><b>OCAA (Observat\u00f3rio de Com\u00e9rcio e Ambiente na Amaz\u00f4nia)<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> na \u00faltima quinta-feira (17\/02), os convidados apontaram que n\u00e3o h\u00e1 uma resposta \u00fanica para essa pergunta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA bioeconomia \u00e9 muito plural. Cada um vai adotar o conceito que melhor se adequa \u00e0 sua realidade e ao seu contexto\u201d, disse <\/span><b>Joice Ferreira<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, pesquisadora da Embrapa Amaz\u00f4nia Oriental, em participa\u00e7\u00e3o no encontro. \u201cH\u00e1 diversas Amaz\u00f4nias e provavelmente para cada uma delas voc\u00ea ter\u00e1 uma bioeconomia mais adequada ao local. N\u00e3o tem como ter uma pol\u00edtica p\u00fablica \u00fanica, mas podemos ter uma ambi\u00e7\u00e3o s\u00f3: a de recuperar o territ\u00f3rio desmatado\u201d, completou <\/span><b>Denis Minev<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, presidente da Bemol e co-fundador da Plataforma Parceiros pela Amaz\u00f4nia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De encontro com esse princ\u00edpio de respeitar a diversidade amaz\u00f4nica, um ponto essencial destacado durante o painel \u00e9 que \u00e9 preciso priorizar os interesses das comunidades locais \u00e0s press\u00f5es do mercado. \u201cDentro dos processos de economia, n\u00e3o podemos abrir m\u00e3o de valores que v\u00e3o al\u00e9m de uma quest\u00e3o de mercado. Para n\u00f3s, uma iniciativa de sociobioeconomia ou qualquer vari\u00e1vel dela precisa dialogar com uma economia sustent\u00e1vel, que respeite a cultura da comunidade e mantenha o uso coletivo da terra\u201d, ressaltou <\/span><b>Joaquim Belo<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, secret\u00e1rio de rela\u00e7\u00f5es internacionais do CNS (Conselho Nacional dos Seringueiros). \u201cSe todo mundo discute bioeconomia mas ignora as comunidades amaz\u00f4nicas, tem alguma coisa errada a\u00ed. \u00c9 preciso que esses povos estejam na mesma mesa que os bancos e as empresas.\u201d\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso, \u00e9 importante pensar na bioeconomia como algo que funcione para o coletivo. \u201cSe entendermos a bioeconomia nesse sentido [literal] de uma economia para cuidar da vida de todos os seres vivos, ent\u00e3o ela deveria ter metodologia e finalidade pr\u00f3prias. Essa palavra vem no contexto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e, se \u00e9 para contra-atacar o aquecimento global, ela tem que ser formulada nesse sentido\u201d, destacou <\/span><b>Andr\u00e9 Baniwa<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, lideran\u00e7a do povo Baniwa e representante da COIAB (Coordena\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Brasileira).<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Veja a grava\u00e7\u00e3o do encontro na \u00edntegra:<\/span><\/i><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/K0Vu1fSHan0\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><b>Caso do a\u00e7a\u00ed: press\u00f5es de mercado levam para os mesmos problemas<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Durante o encontro, os convidados falaram sobre a bioeconomia como uma oportunidade de encontrar novas solu\u00e7\u00f5es para os desafios da Amaz\u00f4nia, e analisaram a experi\u00eancia atual com as mudan\u00e7as na produ\u00e7\u00e3o do a\u00e7a\u00ed para atender a crescente demanda dentro e fora do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como ressaltado por <\/span><b>Paulo Moutinho<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, pesquisador s\u00eanior do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia) e moderador do painel, a demanda crescente por a\u00e7a\u00ed, principalmente de exporta\u00e7\u00f5es, n\u00e3o apenas aumenta os pre\u00e7os locais, como tamb\u00e9m pressiona por mais produtividade, \u201co que resulta na diminui\u00e7\u00e3o da biodiversidade da floresta e chega a pressionar por uma monocultura\u201d. \u201c\u00c0s vezes aparecem propostas aparentemente muito bem intencionadas mas que podem levar a consequ\u00eancias catastr\u00f3ficas\u201d, alertou Ferreira. Para ela, em meio ao paradigma de desenvolvimento, a \u201ca\u00e7a\u00edza\u00e7\u00e3o\u201d e o empobrecimento florestal pela intensifica\u00e7\u00e3o da extra\u00e7\u00e3o do a\u00e7a\u00ed pode induzir o pa\u00eds a reproduzir os mesmos erros, trazendo s\u00e9rios riscos ambientais e sociais. \u201cTrazer renda de qualquer maneira e a qualquer custo n\u00e3o traz benef\u00edcios para as comunidades\u201d, ressalta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo Baniwa, a produ\u00e7\u00e3o de escala n\u00e3o \u00e9 adequada \u00e0 bioeconomia. \u201cO a\u00e7a\u00ed tem v\u00e1rias subesp\u00e9cies. Quando selecionamos uma \u201cmais produtiva\u201d e ignoramos as outras, empobrecemos a biodiversidade. Por isso falo de pensar em novas metodologias, porque essa abordagem de mercado acaba desvalorizando a diversidade do a\u00e7a\u00ed\u201d, afirmou. De acordo com Ferreira, estudos da Embrapa mostram que 50% dos polinizadores do a\u00e7a\u00ed s\u00e3o abelhas nativas, que dependem das \u00e1reas florestais dessa produ\u00e7\u00e3o. \u201cSem esses polinizadores que vivem na floresta, a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 amea\u00e7ada. N\u00e3o h\u00e1 bioeconomia nesse caso se considerarmos que bioeconomia \u00e9 mais do que um conceito, \u00e9 um imperativo \u00e9tico normativo\u201d, explica ela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cCorremos um risco muito grande na modalidade que responde aos anseios do mercado. Se houver um controle do mercado atrav\u00e9s do cultivo, haver\u00e1 empobrecimento. A borracha \u00e9 um exemplo disso e pode acontecer com o a\u00e7a\u00ed e qualquer outra esp\u00e9cie\u201d, concordou Belo. \u201cO mercado asi\u00e1tico, por exemplo, que representa um campo muito vasto de consumo e ainda nem entrou no jogo, se entrar vai ser um \u201cDeus nos acuda\u201d. Temos que estar atentos ao que est\u00e1 acontecendo.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Minev, a monocultura de a\u00e7a\u00ed \u201cn\u00e3o \u00e9 uma m\u00e1 solu\u00e7\u00e3o para as \u00e1reas degradadas, j\u00e1 que provavelmente isso \u00e9 melhor do que pasto\u201d, mas compartilhou algumas iniciativas para desenvolver melhores sistemas agroflorestais. Uma delas \u00e9 a planta\u00e7\u00e3o em cons\u00f3rcio, que \u00e9 o cultivo de duas ou mais esp\u00e9cies numa mesma \u00e1rea e, segundo ele, pode torn\u00e1-las mais produtivas do que seriam numa monocultura. Ele tamb\u00e9m refor\u00e7ou a import\u00e2ncia de empreendedores desenvolvendo inova\u00e7\u00f5es. Como exemplo, Minev citou uma <\/span><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/am\/amazonas\/noticia\/2021\/05\/24\/primeira-agroindustria-movel-de-acai-e-inaugurada-no-amazonas.ghtml\"><span style=\"font-weight: 400;\">balsa-ind\u00fastria<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> que circula pelo interior do estado do Amazonas, coletando e processando a\u00e7a\u00ed de calhas de rios que n\u00e3o teriam compradores por estar muito distante do mercado consumidor. \u201cObviamente n\u00e3o h\u00e1 uma estrutura de mercado definida, mas acho que vamos encontrar uma estrutura melhor do que simplesmente o extrativismo e melhor do que a monocultura\u201d, disse.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Participe do pr\u00f3ximo encontro sobre bioeconomia do OCAA<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No dia 17 de mar\u00e7o, o OCAA promover\u00e1 o segundo e \u00faltimo encontro da s\u00e9rie de webin\u00e1rios \u201c<\/span><a href=\"https:\/\/ocaa.org.br\/ocaa-abre-inscricoes-para-a-serie-dialogos-sobre-bioeconomia-amazonica-e-comercio-internacional\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Di\u00e1logos sobre Bioeconomia Amaz\u00f4nia e Com\u00e9rcio Internacional<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d. O webin\u00e1rio \u201cA viabilidade da bioeconomia na Amaz\u00f4nia\u201d ter\u00e1 como objetivo discutir como a bioeconomia pode contribuir para a gera\u00e7\u00e3o de renda e o papel do com\u00e9rcio internacional para o desenvolvimento sustent\u00e1vel para a regi\u00e3o. Os painelistas ser\u00e3o confirmados em breve.<\/span><\/p>\n<p><b>17\/03 \u00e0s 15h (Bras\u00edlia)<br \/>\n<\/b><b>A viabilidade da bioeconomia na Amaz\u00f4nia<br \/>\n<\/b><b>Inscreva-se: <\/b><a href=\"https:\/\/bit.ly\/OCAA-bioeconomia\"><b>bit.ly\/OCAA-bioeconomia<\/b><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em encontro do OCAA que reuniu representantes do setor privado, academia e sociedade civil, convidados destacam pluralidade da bioeconomia\u00a0 Na Amaz\u00f4nia, a bioeconomia vem sendo destacada como uma poss\u00edvel alternativa para suprir demandas comerciais e, ao mesmo tempo, respeitar a integridade da sociobiodiversidade. 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