{"id":13196,"date":"2022-03-21T17:56:29","date_gmt":"2022-03-21T20:56:29","guid":{"rendered":"https:\/\/ocaa.org.br\/?p=13196"},"modified":"2022-03-21T17:56:48","modified_gmt":"2022-03-21T20:56:48","slug":"a-bioeconomia-pode-contribuir-com-o-desenvolvimento-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ocaa.org.br\/es\/a-bioeconomia-pode-contribuir-com-o-desenvolvimento-da-amazonia\/","title":{"rendered":"A bioeconomia pode contribuir com o desenvolvimento da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: left;\"><em>Em encontro do OCAA, Juliano Assun\u00e7\u00e3o (CPI\/PUC-Rio), Maria Nice Machado (CNS), Carlos Nobre (IEA-USP) e M\u00e1rio Ribeiro (UFPA) discutiram o que falta para viabilizar a bioeconomia na regi\u00e3o.<\/em><\/h6>\n<p style=\"text-align: left;\">A bioeconomia sozinha n\u00e3o vai salvar a Amaz\u00f4nia, mas \u00e9 pe\u00e7a fundamental para o territ\u00f3rio e suas popula\u00e7\u00f5es. \u201cO que vai gerar de fato bem estar e emprego em escala na regi\u00e3o \u00e9 um conjunto de interven\u00e7\u00f5es. Essa agenda que a gente chama genericamente de bioeconomia vai fazer parte desse cen\u00e1rio, porque ela tem a ver com aproveitamento de v\u00e1rios dos recursos dispon\u00edveis ali\u201d, disse Juliano Assun\u00e7\u00e3o, diretor executivo do Climate Policy Initiative Brasil e professor do departamento de Economia da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), na \u00faltima quinta-feira (14\/03) em participa\u00e7\u00e3o no webin\u00e1rio \u201cA viabilidade da bioeconomia\u201d. O evento foi moderado por Sandra Rios, do Centro de Estudos de Integra\u00e7\u00e3o de Desenvolvimento (Cindes), e encerrou a s\u00e9rie \u201c<a href=\"https:\/\/ocaa.org.br\/ocaa-abre-inscricoes-para-a-serie-dialogos-sobre-bioeconomia-amazonica-e-comercio-internacional\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Di\u00e1logos sobre bioeconomia amaz\u00f4nica e com\u00e9rcio internacional<\/a>\u201d, promovida pelo OCAA (Observat\u00f3rio de Com\u00e9rcio e Ambiente na Amaz\u00f4nia).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Confira a grava\u00e7\u00e3o do encontro na \u00edntegra:<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uufI6jr5hnE\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Assun\u00e7\u00e3o destacou dois pontos que \u00e9 preciso ter em considera\u00e7\u00e3o para pensar em caminhos para a bioeconomia na Amaz\u00f4nia, com base em um estudo realizado pela iniciativa Amaz\u00f4nia 2030. O primeiro \u00e9 que o Brasil desmatou muito mais do que deveria e h\u00e1 espa\u00e7o que poderia ser ocupado de forma mais eficiente. \u201cEntre 2004 e 2012, per\u00edodo de maior redu\u00e7\u00e3o do desmatamento na regi\u00e3o, a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria aumentou e n\u00e3o foi pouco. Por raz\u00f5es hist\u00f3ricas, temos a possibilidade de aumentar muito nossa produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria em \u00e1reas abertas, sem desmatar a Amaz\u00f4nia. Esse \u00e9 um ponto central para qualquer iniciativa de desenvolvimento da regi\u00e3o\u201d, explicou. Segundo ele, nos \u00faltimos 20 anos a produ\u00e7\u00e3o de alimentos cresceu basicamente pelo aumento de produtividade. \u201cEssa ideia de que \u00e9 poss\u00edvel produzir mais nas \u00e1reas j\u00e1 abertas \u00e9 muito mais do que uma possibilidade te\u00f3rica: \u00e9 algo que est\u00e1 em curso no mundo h\u00e1 pelo menos duas d\u00e9cadas.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Outro ponto importante \u00e9 a estrutura de emprego e gera\u00e7\u00e3o de renda da regi\u00e3o. De acordo com Assun\u00e7\u00e3o, a taxa de informalidade na Amaz\u00f4nia \u00e9 muito maior do que no resto do pa\u00eds, chegando a quase 60%. Al\u00e9m disso, o setor de servi\u00e7os e com\u00e9rcio \u00e9 respons\u00e1vel pela maior parte da gera\u00e7\u00e3o de empregos, que est\u00e3o concentrados principalmente em \u00e1reas urbanas. A bioeconomia tem potencial para melhorar esse cen\u00e1rio: o estudo <a href=\"https:\/\/ocaa.org.br\/publicacao\/amazonia-territorios-da-comida\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Amaz\u00f4nia: territ\u00f3rios da comida<\/a> mostra que a combina\u00e7\u00e3o da biodiversidade amaz\u00f4nica com neg\u00f3cios relacionados \u00e0 comida e dispostos a expandir a distribui\u00e7\u00e3o de seus produtos pode contribuir com o desenvolvimento da regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O mesmo estudo mostra que, entre os <a href=\"https:\/\/ipam.org.br\/ocaa-discute-o-potencial-de-exportacao-da-amazonia-em-novo-episodio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">produtos exportados pela Amaz\u00f4nia<\/a> entre 2017 e 2019, 64 s\u00e3o classificados como \u201ccompat\u00edveis com a floresta\u201d e geraram uma receita anual de US$ 298 milh\u00f5es. Embora o valor pare\u00e7a alto, o mercado global desses mesmos produtos movimentou US$ 176,6 bilh\u00f5es por ano, o que significa que a Amaz\u00f4nia teve uma participa\u00e7\u00e3o de apenas 0,17%. \u201cUma agenda de bioeconomia poss\u00edvel est\u00e1 associada a um trabalho voltado a esses produtos que podem ter mais escala e j\u00e1 encontram uma base instalada na regi\u00e3o capaz de produzir. Com isso, a gente consegue compor uma carteira de diferentes iniciativas que v\u00e3o desde uma bioeconomia que j\u00e1 existe na Amaz\u00f4nia e precisa ganhar escala, at\u00e9 uma bioeconomia mais de fronteira tecnol\u00f3gica e que vai requerer uma s\u00e9rie de condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas\u201d, disse Assun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><b>O que falta para viabilizar a bioeconomia amaz\u00f4nica<\/b><\/h4>\n<p style=\"text-align: left;\">\u201cO que falta mesmo \u00e9 a comunica\u00e7\u00e3o e o investimento. Na hora que tiver isso, al\u00e9m de um instituto focado para esse desenvolvimento, respeitando as nossas culturas e tradi\u00e7\u00f5es, a\u00ed o cen\u00e1rio vai mudar, porque o produto j\u00e1 temos\u201d, ressaltou Maria Nice Machado, representante do Conselho Nacional das Popula\u00e7\u00f5es Extrativistas (CNS) e presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Comunidades Negras Quilombolas do Maranh\u00e3o, que tamb\u00e9m participou do webin\u00e1rio do OCAA.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Machado destacou que o investimento em melhoria da estrutura existente e a comunica\u00e7\u00e3o de iniciativas das comunidades poderiam contribuir n\u00e3o apenas para a gera\u00e7\u00e3o de renda, como tamb\u00e9m para a defesa ambiental, a diminui\u00e7\u00e3o da taxa de informalidade e a redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia. \u201cCom uma pol\u00edtica voltada para que nossos produtos cheguem aos mercados, a pobreza vai diminuir\u201d, afirmou.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Para Carlos Nobre, pesquisador s\u00eanior do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da Universidade de S\u00e3o Paulo e tamb\u00e9m painelista no evento, \u00e9 importante pensar tamb\u00e9m na agrega\u00e7\u00e3o de valor dos produtos da floresta \u2013 e a tecnologia tem um papel-chave para viabilizar a bioeconomia na regi\u00e3o. Ele mencionou um projeto da iniciativa Amaz\u00f4nia 4.0 que pretende levar algumas tecnologias para o territ\u00f3rio. \u201cA ind\u00fastria 4.0 se tornou muito barata, as tecnologias podem ser usadas em v\u00e1rias escalas, s\u00e3o muito amig\u00e1veis, dur\u00e1veis, f\u00e1ceis de aplicar. Ent\u00e3o a ideia do projeto \u00e9 levar algumas dessas tecnologias \u00e0 Amaz\u00f4nia e mostrar a viabilidade em ambientes rurais e urbanos para come\u00e7ar a desenvolver uma agrega\u00e7\u00e3o de valor\u201d, contou Nobre. O primeiro projeto come\u00e7ar\u00e1 a ser implementado ainda neste ano: um laborat\u00f3rio para processamento na cadeia do cupua\u00e7u e do cacau. \u201cEsse laborat\u00f3rio produz cerca de 10 produtos, tanto do cupua\u00e7u quanto do cacau, e n\u00e3o gera res\u00edduos porque todos s\u00e3o reutilizados. Vamos tentar capacitar essas comunidades em parceria com a Conexsus, e atrair jovens eco-empreendedores\u201d, explicou.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Al\u00e9m disso, ele disse que a iniciativa est\u00e1 desenvolvendo a chamada Amaz\u00f4nia Business School, uma plataforma online que oferecer\u00e1 cursos para uma bioeconomia de floresta em p\u00e9, e tamb\u00e9m come\u00e7ou a estudar a viabilidade para desenvolver um instituto de tecnologia da Amaz\u00f4nia. \u201cEstudos mostram que sistemas agroflorestais em toda a Amaz\u00f4nia trazem renda cinco vezes maior do que a pecu\u00e1ria, duas vezes maior do que a soja, e beneficiam um n\u00famero muito maior de pessoas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">M\u00e1rio Ramos Ribeiro, professor da Universidade Federal do Par\u00e1 e integrante do painel, ressaltou \u2013 em refer\u00eancia ao trabalho de Amartya Sen, ganhador do Pr\u00eamio Nobel de Economia de 1998 \u2013 que al\u00e9m de um sistema de inova\u00e7\u00e3o e uma integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, \u00e9 preciso \u201cexpandir as capacidades\u201d das comunidades do territ\u00f3rio, ou seja, aumentar suas oportunidades e poder de escolha. \u201cQuando se compara Holanda e Brasil, o que eles t\u00eam l\u00e1 que n\u00e3o temos aqui? Bens p\u00fablicos. O Estado brasileiro n\u00e3o produz bens p\u00fablicos, e aqui na Amaz\u00f4nia muito menos: sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o, saneamento\u201d, disse.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Sobre o OCAA<\/h4>\n<p style=\"text-align: left;\">O OCAA (Observat\u00f3rio de Com\u00e9rcio e Ambiente na Amaz\u00f4nia) \u00e9 uma plataforma que re\u00fane informa\u00e7\u00f5es qualificadas sobre as rela\u00e7\u00f5es entre com\u00e9rcio internacional e meio ambiente na Amaz\u00f4nia, estimulando o di\u00e1logo embasado na ci\u00eancia e o engajamento de diversos atores da sociedade pela prosperidade socioecon\u00f4mica e ambiental na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Foi fundado por quatro organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil: IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia), Cindes (Centro de Estudos de Integra\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento), iCS (Instituto Clima e Sociedade) e Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz\u00f4nia). Para receber as principais not\u00edcias sobre com\u00e9rcio e meio ambiente na Amaz\u00f4nia,<a href=\"https:\/\/ocaa.org.br\/newsletter\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> inscreva-se na newsletter do OCAA.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em encontro do OCAA, Juliano Assun\u00e7\u00e3o (CPI\/PUC-Rio), Maria Nice Machado (CNS), Carlos Nobre (IEA-USP) e M\u00e1rio Ribeiro (UFPA) discutiram o que falta para viabilizar a bioeconomia na regi\u00e3o. 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